Proibido

Olá, Leitores!

A resenha de hoje é do livro “Proibido”, da autora Tabitha Suzuma, publicado pela editora Valentina.

 

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Esse livro é mais um da série “Por que a autora faz isso com a gente?”. Vou tentar descrever o que senti lendo, apesar de difícil explicar em palavras,mas antes vamos à sinopse:

“Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de
uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.

Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.

Eles são irmão e irmã.

Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.”

A história é narrada alternadamente por Maya e Lochan. Eles são os irmãos mais velhos de uma família de cinco filhos. Desde muito cedo, eles tratam os irmãos mais novos, Kit, de 13, Tiffin, de 8 e Willa, de 5, como filhos. O pai os abandonou para viver com outra mulher e a mãe desde então, gasta a maior parte do dinheiro com roupas e presentes para impressionar os namorados que arruma, além de beber muito e quase não ficar em casa. Maya e Lochan são os pilares desta família.

A família não é extremamente pobre, mas seus membros são privados de uma vida melhor. Lochan é extremamente inteligente, mas pensa em cursar uma faculdade próxima à sua casa para continuar cuidando de seus irmãos. Sofre de ansiedade social e ataques de pânico. Não tem amigos. Apenas responsabilidades como “pai de família” e Maya, a única que entende os sacrifícios que tem que fazer.

Quando me indicaram este livro, recebi um breve resumo da história: Um incesto entre irmãos que sempre viveram juntos. Mas como? Como é possível você viver 16, 17 anos com alguém que é da sua família e de repente se apaixonar? Já vi histórias de irmãos que não se conheciam, irmãos postiços, mas irmãos de pai e mãe que sempre estiveram sob o mesmo teto?

A autora nos mostra que a grande lição deste livro é não julgar a situação sem conhecer o que levou a tal ponto.

Lendo o livro entendemos o porquê dessa paixão surgir entre dois irmãos. Eles nunca puderam ter essa relação de irmão para irmão. Sempre foram dois parceiros criando filhos. Não tiveram a oportunidade de brincar, de ter alguém cuidando deles. A preocupação sempre foi os irmãos mais novos. Maya e Lochan tem praticamente a mesma idade, assumiram esse papel juntos. Daí não cabe a nós julgar o que aconteceu.

O livro aborda a questão “incesto” de uma forma sutil, mas a leitura é bem pesada. Não pesada de ter um conteúdo explícito e chocante, mas na carga emocional que ele nos proporciona. Já no meio do livro, me peguei numa atividade qualquer da vida angustiada e de repente me vi me perguntando o que estava me preocupando. Era a história. Ela não nos deixa, ela fica na nossa cabeça, nos faz estar no lugar de Maya ou de Lochan. Tanto que todos os conflitos internos vividos pelos personagens, desde a descoberta desse amor, até o dilema entre seguir em frente e enfrentar os riscos ou não, podem ser sentidos pelo leitor pela forma que a história foi escrita. Eu diria que o livro é uma experiência psicológica.

“Ele sempre foi tão mais do que apenas um irmão. Ele é minha alma gêmea, meu oxigênio, a razão pela qual espero com ansiedade pelo momento de acordar todos os dias” – MAYA

O livro é romântico, fofo, excitante, angustiante, questionador, triste e tudo o mais que se pode sentir através da leitura.

Sobre o final, foi inesperado e muito triste! Quando estava no fim da leitura, faltando pouco menos de trinta páginas e vi pra onde a história estava encaminhando, parei. Simplesmente não quis encarar, fiquei com medo do que estava prestes a acontecer. E preciso dizer que depois que retomei a leitura, terminei o livro com o coração em pedaços. Mas o final mostrou todo o amor que os irmãos tinham por aquela família, todo o temor pela separação dos irmãos caso a assistência social descobrisse a negligência dos pais.

“Como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?” é a pergunta que ilustra a capa do livro, que por sinal é belíssima. Minha resposta é que pra mim não teve certo nem errado, mas que foi uma situação compreensível, o mundo de Lochan era Maya. Confesso que me vi torcendo por um final feliz, por uma vida com  Maya e Lochan.

“Mas sei que é ridículo, absurdo demais até pensar nisso. Nós não somos assim. Não somos doentios. Somos apenas um irmão e uma irmã que por acaso também são os melhores amigos um do outro. É assim que sempre foi entre nós dois. Não posso perder isso, ou não vou sobreviver” – MAYA

Tabitha abordou um tema diferente, que pelo menos eu nunca tinha lido nada parecido, o que é ótimo, é original, nos leva a uma situação totalmente nova para muitos. O livro me marcou de uma forma positiva, pois sempre vai me fazer pensar na história por trás de tudo.

Sem dúvida foi o livro mais triste que li esse ano (e olha que li “Como eu era antes de você” e “Mentirosos”).

Proibido é um bom livro para ler e discutir.

Fico por aqui, ainda nesta ressaca literária que esse livro causou.

“Você pode fechar os olhos para as coisas que não quer ver, mas não pode fechar o coração para as coisas que não quer sentir” – ANÔNIMO

Beijos!